Carolina Cerqueira almeja cooperação inter-parlamentar entre Angola e Espanha

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A presidente da Assembleia Nacional manifestou, ontem, em Luanda, em nome de todos os parlamentares, o desejo de estabelecer mecanismos de cooperação inter-parlamentar mais regulares e formais, baseados em acordos que devem ser produzidos a partir do mútuo interesse das instituições parlamentares de Angola e Espanha.

Carolina Cerqueira, que falava na Reunião Plenária Solene por ocasião da visita de Suas Majestades Reis de Espanha, esclareceu que esta cooperação vai reforçar o entendimento que as parcerias devem atingir nos vários domínios da vida dos dois povos, bem como assegurar as acções de consultas políticas, diplomáticas e o intercâmbio de experiências entre todas as instituições públicas, incluindo a nível parlamentar.

Enalteceu o Reino de Espanha pelo facto de assumir o compromisso com África, no geral, e com Angola, em particular, pretendendo construir, com mais seis países africanos, relações distintas, mais abrangentes, baseadas na cooperação mútua, entre a Europa e África: "Entendemos que o plano da cooperação com Angola é mais ambicioso, pois pretende tornar o país numa referência da União Europeia para o continente africano”.

Afirmou que a Espanha deve ser vista como um aliado para o desenvolvimento, sempre disponível a contribuir de forma valiosa para o crescimento nos domínios da Educação, Saúde, Segurança Alimentar, Telecomunicações, Energia, na Política e na Cultura, assim como em muitas outras áreas em que podem e devem continuar a colaborar.

Carolina Cerqueira destacou a notoriedade do caminho feito entre Angola e o Reino de Espanha e os ganhos em matéria de cooperação económica, científica e cultural, frisando que esta "estratégica cooperação bilateral” proporcionou boas relações de intercâmbio existentes entre os dois povos e as instituições republicanas nos vários domínios, nomeadamente, Empresarial, Política, Económica e Cultural, interajuda e partilha.

"O âmbito e a abrangência da cooperação entre Angola e o Reino de Espanha, assim como os ganhos mútuos, evidenciam que o nosso país foi sempre colocado entre as vossas prioridades na cooperação com as nações do continente africano”, realçou.

A presidente da Assembleia Nacional lembrou que, passados 47 anos da Independência, proclamada a 11 de Novembro de 1975, "Angola caminha, hoje, no sólido trilho das democracias, assente na Casa das Leis, permitindo uma vaga de democratização que chegou à Espanha há quase cinco décadas e o mundo assistiu, igualmente, à transição política para a democracia parlamentar”.

"Temos em comum o histórico ano de 1975, em que partilhámos o início de uma nova vida e de novas perspectivas para os nossos povos. Vivemos hoje num contexto internacional completamente diferente e com novos desafios na defesa da democratização dos nossos países”, reiterou.

Carolina Cerqueira apontou que o terrorismo e o ciber-terrorismo ganharam uma nova dimensão global, destacando, também, a proliferação dos Estados fragilizados com crises sociais, económicas e humanitárias, as guerras civis entre os povos e o drama humano dos refugiados e dos migrantes.

No seu discurso, não deixou de fora o envolvimento político-diplomático de Angola na Região dos Grandes Lagos, que tem sido evidenciado nos últimos anos, durante os dois mandatos de Angola à frente desta organização.

Contou que Angola soube levar o nome do fórum de estabilização política da região além-fronteiras, maximizou os esforços para neutralizar as secções das forças negativas no Leste da RDC e, sobretudo, iniciou um processo político e diplomático para a paz e a estabilidade na subregião da África Central.

"Estamos confiantes que a recente visita do Papa Francisco à República Democrática do Congo foi uma chamada vigorosa ao calar das armas, um apelo de misericórdia e de justiça, de solidariedade para uma paz efectiva que esperamos possa mitigar o imenso sofrimento das vítimas do conflito, em particular das milhares de crianças, mulheres e populações indefesas e vulneráveis naquele país irmão e vizinho”, considerou.

Carolina Cerqueira informou que outras questões para acções imediatas e concertadas a nível mundial e regional situam-se no domínio da diplomacia parlamentar, com principal ênfase na segurança alimentar, na defesa do ambiente e nas mudanças climáticas.

 

Solidariedade aos turcos e sírios

A presidente da Assembleia Nacional aproveitou a ocasião para manifestar a solidariedade do Parlamento angolano aos povos da Turquia e da Síria, pela tragédia ocorrida, segunda-feira, em consequência do terramoto de grande magnitude em regiões destes dois países, causando um elevado número de vítimas mortais e feridos, imensa dor e prejuízos incomensuráveis.

Carolina Cerqueira disse que o aquecimento global se tornou um problema incontornável e uma prioridade inadiável, pelos seus efeitos nefastos no aumento da pobreza e de catástrofes naturais e deslocações forçadas de populações, causando dramas humanos e crises demográficas que colocam em risco o futuro da humanidade e a sobrevivência do Planeta Terra.

"Estamos perante problemas globais que exigem uma resposta global. São desafios comuns que exigem mais cooperação entre os Estados, a começar por Estados amigos como são Angola e Espanha”, alertou.

A líder parlamentar considerou que todos os esforços conjugados e as iniciativas desenvolvidas para responder a estes desafios globais devem envolver os Parlamentos dos países, igualmente com uma intervenção permanente, quer seja no acompanhamento, como na definição de políticas estratégicas em concertação com as demais instituições públicas.

"Combater a desigualdade social, regular a mundialização e devolver a confiança dos cidadãos na democracia e suas instituições têm de ser as prioridades de todos os democratas. Este é o espírito e a visão do Parlamento angolano actual, o qual tenho a grande honra de presidir, em nome do povo angolano”, advogou Carolina Cerqueira.

 

Orgulho nacional

Durante a sessão solene, Carolina Cerqueira revelou que, num momento de orgulho nacional e reconhecimento do papel da diplomacia parlamentar angolana a nível mundial, o país será a primeira nação africana de língua portuguesa a acolher em Outubro próximo a 147ª Assembleia-Geral da União Inter-parlamentar Mundial, organização que movimentará para Luanda mais de mil deputados de todo o mundo.

Sublinhou que, nem antes da Independência de todos os países de língua portuguesa em África, nem nos mais de 40 anos que já têm de Independência, nunca tinha havido uma reunião num país-membro dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) com tamanha envergadura política e cultural.

 
 
Por Jornal de Angola

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